As GMPs definem logística interna


Para atender sua nova fábrica, a Altana Pharma montou um armazém com dois transelevadores, motivada também pela precisão e rapidez do sistema, mas principalmente em função das boas práticas de fabricação.

A preocupação com as GMPs (good manufacturing practices, boas práticas de fabricação) está entre as principais razões que levaram a Altana Pharma - nova razão social da Byk Química e Farmacêutica, desde 1º de julho - a decidir pela instalação de dois transelevadores no armazém de sua nova fábrica, inaugurada há cerca de quatro meses em Jaguariúna, na região de Campinas.

A área de estocagem, totalmente automatizada, tem capacidade para 5.818 paletes, dispõe de cinco corredores e ocupa aproximadamente 1.500 m2. Ela constitui um “buffer” (pulmão) onde são estocadas matérias-primas e enbalagens para abastecimento da fábrica, produtos importados semi-acabados e produtos acabados em trânsito para o centro de distribuição de seu operador logístico.
“As GMPs foram um dos grandes motivos que nos levaram a optar pelos transelevadores “, expõe o gerente do armazém de expedição Luiz Carlos Fogolin. “Além disso, queríamos garantir a segurança do pessoal de operação e a precisão na estocagem e separação de materiais. Outra vantagem que determinou nossa decisão foi podermos ter uma estocagem racional e compacta, ocupando uma área relativamente pequena”.
O armazém dispõe de duas docas de recebimento e duas de expedição, com possibilidade de abrir mais uma em cada um dos dois setores. Ao chegar, os materiais são separados em uma área de pré-estocagem, de onde, após identificados com etiquetas, são levados para o armazém.
A estrutura de estocagem é convencional, com pé direito de 22,5 metros, e fechada por portas automáticas e corta-fogo. O projeto prevê ampliações para atender a futuros aumentos de produção. O ambiente interno tem pressão positiva, forçando a saída contínua de ar, o que elimina a entrada de qualquer pó em suspensão. Há uma porta de entrada e outra de saída de cargas paletizadas, que funcionam interligadas, por transportadores de rolos, aos traselevadores. Outra porta permite a passagem de pessoal e de carrinhos porta-paletes. No lado oposto, uma antecâmara com portas de vedação possibilita a transferência de cargas, manualmente, dos paletes de madeira em que são estocados para paletes metálicos, os únicos admitidos no ambiente de produção (o processo inverso é realizado na saída de produtos). Uma quarta passagem, em um nível elevado entre as posições-paletes, permite a um transelevador passar cargas de matéria-primas diretamente para o setor de pesagem.
Toda a área de operação dos transelevadores é isolada por grades, para prevenir acidentes causados pelos equipamentos em movimento. Possui, também, dispositivos de segurança, que interrompem a operação do sistema quando a porta de entrada é aberta. Um transelevador opera em dois corredores, e o segundo atende aos outros três. A mudança dos transelevadores de um corredor para outro é feita por dois carros de transferência, no fundo do armazém.

Somente seis pessoas trabalham no armazém e há apenas um turno de trabalho. “Poderíamos ter optado por transelevadores semi-automáticos, com operadores embarcados, mas nosso diretor industrial, H. J. Kilian, concluiu que não obteríamos a mesma dinâmica de que dispomos hoje”, observa Fogolin. “À medida que desempenha suas funções, o sistema automático acumula informações, em seu banco de dados, sobre a disposição dos produtos no estoque e otimiza a distribuição dos paletes da maneira mais racional (por exemplo, colocando os materiais de maior rotatividade perto das saídas) e estabelecendo roteiros para tornar a movimentação mais rápida. Ele cria um histórico de movimentação e faz o controle da otimização das saídas”.

Os transelevadores são controlados pelo sistema Lakos, integrado por meio de interface ao sistema SAP/R3, utilizado pela Altana Pharma. As matérias-primas são estocadas no sistema FEFO (“first to expire, first out”, primeiro a expirar, primeiro a sair). Cada transelevador movimenta em média 50 paletes/hora. São paletas padrão PBR com altura máxima de 1,30 metros, incluindo o próprio palete. O peso máximo a ser transportado de cada vez é definido por meio de software, sendo em geral de 1 tonelada. Um dispositivo de segurança, formado por uma mola calibrada e sensores, impede que o equipamento opere com cargas acima do estipulado.
A estabilidade é um dos pontos mais fortes do equipamento. “Tanto os transelevadores quanto o carro-robô (“shuttle car”) não apresentam solavancos nas partidas ou paradas e nem vibrações durante o deslocamento”, comenta o gerente. “No início, pensamos em utilizar no armazém uma máquina de envolvimento com filme “stretch” (esticável) para dar mais estabilidade às cargas paletizadas, mas percebemos que o transelevador dispensava esse recurso e custo”.

O armazém dispõe de sistemas de segurança contra incêndio, como detectores de fumaça e aspersores (“sprinklers”). Os transelevadores e transportadores foram fornecidos pela Stöcklin Logistics Ltd., representada no país pela Vast-Besth. As estruturas de estocagem são porta-paletes fornecidos pela Águia. A construção do piso, pela Serpal, seguiu especificações da Stöcklin para a obra civil, a partir do dimensionamento de cargas de estocagem.

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Revista: Log&Mam - julho 2002