Modernização de sistema é muito mais do que cirurgia plástica!

A modernização da logística interna de uma empresa, tomando como exemplo uma indústria farmacêutica.

A modernização dos sistemas logísticos internos é fator essencial para o aumento da produtividade e o aperfeiçoamento da qualidade. No cenário mutante da economia globalizada, atualização significa sobrevivência. A questão era tornar viável economicamente tal processo. Pois bem, a Stöcklin Logistics Ltd, representada no Brasil pela Vast-Besth (Tel. 011 5093 9211, comprovou – na Europa, no México e no Brasil- sua competência, tanto no planejamento de instalações novas como no campo de modernização.
A modernização da logística interna na Boehringer Ingelheim do Brasil espelha essa nova filosofia de investimentos e serve como exemplo não somente à indústria farmacêutica, como às indústrias, em geral, diz Peter Riesterer, gerente operacional da América do Sul da Stöcklin.

Motivos de movimentação
A armazenagem e o trânsito dos produtos de uma empresa interferem no custo final do produto, na preservação de sua qualidade, no prolongamento de sua validade. São considerados, portanto, fatores quantificáveis, requisitos de qualidade e de redução de custos operacionais.O tema ganhou significado com as exigências de segurança e qualidade. Isso não vale apenas para a indústria farmacêutica, que impõe severas exigências em relação à qualidade na logística, com seus processos de validação para cumprimento de determinações da GMP – Good Manufacturing Practices, mas também para todos os segmentos industriais.
A necessidade de manter o fluxo de fornecimento ágil e eficiente justifica as medidas para a modernização, e as vantagens superam largamente o aporte de capital necessário. Ao se discutir modernização, discute-se rentabilidade.

Mudança nos requisitos em sistemas
O mercado torna-se, dia-a-dia, mais exigente em relação à disponibilidade de fornecimento, à flexibilidade e à qualidade. A modernização, em caráter de urgência, é determinada por fatores como: exigências de maior desempenho; necessidade de aumento de capacidade de estocagem; alteração dos volumes dos produtos e, em decorrência, modificação da estratégia de distribuição; alteração do mercado ou do mix de variedades; redução dos estoques e, em decorrência, maior giro de estoque, melhoria da ergonomia; procedimentos e processos de validação etc.
Paralelamente, há novas possibilidades que permitem uma melhora importante na rentabilidade: integração das tecnologiasde informação (TI); aumento objetivo do grau de automação, resultante de um nível de qualidade constante, com capacidade maior; maior densidade de estocagem e, assim, maior volume estocado pela aplicação de transelevadores, em lugar de empilhadeiras; redução de custos operacionais para energia com a aplicação de novas tecnologias; custos maciçamente reduzidos para a manutenção e operação; redução de carga horária diária de trabalho etc.

Diversos estágios da modernização
O perfil de exigências determina a natureza da modernização. As possibilidades principais podem ser descritas assim:
Reforma de instalações – Opta-se por uma reforma geral das peças individuais do equipamento ou de uma instalação inteira. Este tipo de modernização reduz os custos de manutenção e de operação e mantém o status quo, mas não traz vantagens significativas.
Substituição de subsistemas – O conceito de subsistema vale para empilhadeiras e prateleiras individualmente e para as áreas de movimentação. É possível atingir, graças à aplicação de tecnologias atualizadas, melhoria importante na logística da fábrica.
Substituição de sistemas – O sistema logístico é substituído, em sua maior parte ou totalmente, por uma instalação nova. Este método mais radical proporciona as melhores condições para adaptação às novas exigências, sem se correr risco. A minimização dos riscos e, ao mesmo tempo, a maximização dos ganhos – mediante reaproveitamento de uma construção existente com infra-estrutura – são a base do conceito de rentabilidade.
Para encontrar a solução para o cliente, a Stöcklin considera aspectos como: rentabilidade, qualidade, flexibilidade orientada para o futuro. Nesse sentido, as variantes possíveis e já implementadas foram: a substituição do sistema original por uma sistema novo com mesmo princípio de funcionamento, porém mediante aplicação de tecnologia mais recente; a transformação de um almoxarifado com empilhadeiras em um sistema mecanizado ou automático de movimentação e estocagem; a implementação de um novo sistema de informática, mediante continuidade dos subsistemas mecânicos; a inclusão e conexão de novas áreas e funções, como comissionamento, agrupamento de pedidos etc; a combinação das variantes citadas.

Observadas as alternativas possíveis, a rentabilidade é o objetivo máximo.
O projeto ideal deve garantir as exigências predeterminadas, com o menor investimento.

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A importância do planejamento e o cliente como parceiro
Também para a modernização um planejamento antecipado sério é fundamental. Durante sua elaboração, devem ser detectados e reconhecidos os possíveis pontos fracos e os riscos, antevendo-se essas estratégias ou um plano de procedimento para a fase de mudança. É preciso levar em conta se o projeto será executado com a fábrica em funcionamento ou com funcionamento restrito. Interrupções, atrasos de prazo ou problemas na colocação em operação podem ter conseqüências fatais para o usuário.
O sucesso do projeto depende, além da experiência do fornecedor, em grande parte do input do cliente.
Para a modernização, vale considerar que nunca haverá uma solução total, pois os projetos estão sujeitos a limitações técnicas e financeiras. Porém, é sempre possível uma solução otimizada, que leve em conta a experiência e a realidade do cliente. Uma parceria verdadeira entre o cliente e o fornecedor é a chave para o sucesso.

Modernização na indústria farmacêutica :
A Boehringer Ingelheim do Brasil

O desafio da Stöcklin era aumentar a capacidade de estocagem, no mínimo, 50%, com a construção de um armazém vertical para produtos acabados, junto ao armazém convencional, para matérias-primas; definir um sistema de movimentação para matérias-primas e produtos acabados que atendesse às necessidades atuais e futuras da empresa; criar um pedido de comissionamento para caixas e fracionados, com reabastecimento automático; estabelecer uma interligação, por meio de técnica de movimentação, das áreas de produção, armazém, comissionamento de pedidos e expedição; criar um sistema de transferência automática de mercadorias dos paletes de transporte de madeira para paletes de alumínio; estabelecer uma conexão on-line do gerenciador do armazém ao novo sistema Host a ser instalado; criar um sistema totalmente compatível com o GMP; modificar e ampliar o sistema de prateleiras existente; executar a modernizaçãocom a fábrica em funcionamento; supervisionar o projeto até a entrega das chaves do sistema.

Visão do passado
Estocagem de matérias-primas, materiais de embalagem primários e secundários e produtos acabados no almoxarifado geral; transporte dos materiais por empilhadeiras pesadas; comissionamento do pedido feito por uma plataforma integrada ao sistema de prateleiras convencionais; ausência de ligação técnica de movimentação das áreas de produção, armazenagem e expedição. O transporte interno para as áreas era feito por empilhadeiras hidráulicas manuais.

Conceito de modernização
O planejamento do conceito da Boehringer Ingelheim do Brasil e Stöcklin demonstrou que a construção de um novo armazém vertical era fundamental, uma vez que esse investimento propiciaria: melhor aproveitamento do espaço existente (aproveitamento do espaço antes da modernização era de 60%) no armazém convencional; uma reutilização do prédio do armazém e das estanterias; perfeita combinação de operação manual e automática nas diversas áreas; melhoria do fluxo de informações (TI); restruturação dos fluxos de materiais e aperfeiçoamento e agilidade dos processos operacionais.
Esses conceitos levaram à solução de sistema: depósito automático de paletes para, aproximadamente, 6000 posições paletes para produtos acabados; conexão automática do armazém manual para matérias-primas e material de embalagem; conexão automática do recebimento central de materiais; conexão das linhas de embalagem ao sistema de armazenagem através de sistema automático de separação e paletização; almoxarifado manual de produtos acabados com comissionamento integrado para pedidos de clientes; conexão automática da produção ou embalagem ao depósito manual de matéria-prima e material de embalagem; integração técnica de informações de todas as áreas ao computador central.

Objetivo atingido
Além do aumento de capacidade e do volume, a integração técnica de informações e a execução de acordo com os rígidos critérios de validação GMP foram objetivos atingidos com sucesso.
A solução destaca-se por sua flexibilidade de sistema e por um significativo potencial de ampliação. O orçamento e a rentabilidade a ele associada não somente forama mantidos, mas puderam ser otimizados.

Surge uma tendência
Um ambiente econômico em mutação obriga os clientes de sistemas logísticos a adaptarem-se a novas necessidades. Por essa razão, o investimento em inovações, como aproveitamento de espaços existentes, oferece uma chance real de se adequar à empresa – com rentabilidade – às novas exigências e de capitalizar seu investimento a curto prazo.

Revista : Movimentação & Armazenagem - nr. 123 – nov./dez. 2000